SIMPLES ASSIM


Dia 31

Nas férias eu costumo perder a consciência de tempo. Perguntar o dia da semana para mim, durante as férias, é inútil. Querer saber o dia do mês, então, nem se fala. Há uns três dias eu acordo pensando: "- Nossa, já é dia 31". E é por isso que antes de vir aqui escrever eu verifiquei em pelo menos duas fontes a data do dia de hoje.

Feliz Ano Novo!



Escrito por Cíntia Freitas às 19h49
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A lagartixa

 

O milagre da vida acontece: Nasce o mais novo ser vivozinho. Aprendendo a lidar com as aventuras que a recente vidinha lhe proporciona, é capturada na parede. E até agora a lagartixa está lá, MUITO contra a minha vontade.

Minha irmã, levemente entediada com a nossa super programação de férias, resolveu adotar uma lagartixa. O que é um absurdo, porque não importa o quão chato está o seu dia, prender um ser vivo não deveria ser uma opção de divertimento. Mas essa história foi além, minha irmã criou um laço afetivo com a tal lagartixa, deu até bala para a coitada comer.

Começa a agonia de ontem a noite (noite em que a inocente lagartixa foi presa):

"- Mãe, eu capturei um mosquito para ela, só que ela não está querendo comer, na verdade ela está com calor. Mas tudo bem, porque eu coloquei um algodão úmido para ela. Ela tá assim ó."

Chegou um certo momento em que eu tive que intervir, já afirmando que ia soltar o animal quando todos estivessem dormindo:

"- Ela não é sua. Ela é do meio ambiente.

- É minha, sim, Cíntia.

- Ah é! Tem o seu nome escrito nela?

- Eu posso escrever!

- Ela tem certidão de nascimento, carteira de identidade?

- Eu posso fazer! "

Mas eu não desisti assim tão fácil:

"- Pensa um pouco. Ela acordou hoje, se espreguiçou e pensou: '- vou dar uma voltinha.' , e aí vem você e prende ela. É muito triste. E os pais dela, e o resto da VIDA dela?

- Os pais dela... aff, Cíntia, a gente está falando da família da lagartixa, cala a boca, vai."

Eu olhei para dentro do cativeiro, e falei:

"- Olha só isso, ela tá até preta de desgosto.

- Ela já era preta, idiota."

Eu continuei no caso, afinal, sou uma defensora dos animais. Disse que ia soltá-la, e ponto final. Recomecei o discurso sobre a cadeia alimentar, fauna brasileira e todas as outras coisas, eu venceria pelo cansaço. Chegou o meu pai:

"- Cíntia, pára de encher o saco.

- Não sou EU que estou enchendo o saco. Eu só não quero que a lagartixa sofra. Eu vou soltar e pronto.

- Se você soltar, você vai ficar de castigo, sem poder fazer nada, pelo resto das férias."

E foi aí eu entreguei os pontos. Minhas férias já estão chatas o suficiente podendo "fazer as coisas". Peguei o pote, olhei para o pobre animalzinho e falei para a minha irmã:

"- Ela tá na mesma posição há muito tempo. Acho que ela morreu."

A minha irmã pegou o pote da minha mão.

TOC, TOC (no plástico do pote) - nada. Momentos de tensão.

"- Xi" - disse a, até então, assassina. "- Se mexeu! Ufa! Está viva."



Escrito por Cíntia Freitas às 18h41
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Gosto não se discute

 

Eu e minha mãe, há um tempo atrás:

"- Difícil achar esse chiclete, hein?!

- Por quê?

- Em todo lugar que eu ia só tinha de uva, uva, uva...

- Mãe, mas eu te falei que tem dois sabores, e que os dois são bons.

- Ah, mas eu pensei 'se eu levar de uva...' "

Eu e a minha irmã, ontem, no supermercado:

"- Acho que vou levar esse chiclete.

- Mas Cíntia, é de uva..."



Escrito por Cíntia Freitas às 22h03
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É Natal

 

Sabe quando você lê uma coisa e se sente o maior estúpido por não ter pensado naquilo antes?! Pois então. Não sei como anda a memória aí do outro lado, mas eu venho falando de uma piada de Natal há muito tempo aqui no blog. Piada esta, que eu poderia muito bem ter inventado antes de quem a criou, mas, de qualquer modo, eu lembrei que ela estava gravada em algum CD (daqueles que a gente grava quando nossos pais começam a surtar com computador 'lerdo demais'), e, pelo bem da nação, resolvi procurá-la, afinal de contas, sou uma moça de palavra.

Depois de me perder nas profundezas do meu armário, encontrei o CD (que na verdade eu sempre soube que estava alí).

" Final de ano, Joãozinho resolve escrever uma carta para o Papai Noel:

- Querido Papai Noel, fui um bom menino durante todo o ano. Gostaria de ganhar uma bicicleta.

O menino olha para o texto, e, insatisfeito, amassa a folha e escreve novamente:

- Papai Noel, fui um bom menino durante a última semana. Por favor, mande-me uma bicicleta.

Novamente Joãozinho não se satisfaz. Pensa um pouco, vai até o presépio, pega o Menino Jesus, tranca-o em uma gaveta e volta a escrever:

- Virgem Maria, seqüestrei seu filho. Se quiser vê-lo novamente, mande-me uma bicicleta."

 

Feliz Natal!

 

PS.: Não seqüestrem Jesus, gente.



Escrito por Cíntia Freitas às 18h33
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A idéia


Todos os anos estavam reunidos. Era a festa de fim de ano do Dois Mil e Cinco. O novato Dois Mil e Seis se sentia meio deslocado, porque os convidados não estavam sendo lá muito simpáticos com ele. Também pudera, ele não tinha nenhuma novidade ainda.

Reunidos em frente a televisão, os mais velhos assistiam com certa desatenção à inescrupulosa "Retrospectiva 2005". Balbuciavam algumas coisas, reclamando sobre a programação da Globo. Os menos velhos estavam, obviamente, mais interessados no dono da festa. Preferiam ouvir dele as considerações finais sobre o seu desempenho.

Enquanto o nada esbelto Dois Mil e Cinco, anfitrião ruimzinho, narrava com alguma melancolia as questões políticas que haviam prejudicado sua imagem, o ignorado Dois Mil e Seis começava a pensar no que faria. Ele queria ser diferente, sua vida toda esperara pelo momento em que seria o sucessor do dono da festa de fim de ano, e a situação em que se encontrava não correspondia nada às suas expectativas. Ficar sentado se empanturrando com alguma coisa que lembrava azeitona não era o que tinha planejado.

O Mil Novecentos e Noventa e Nove continuava em crise existencial. Se sentia velho. Era o último Mil. O Dois Mil e Um mantinha o sorriso estúpido na cara. Em nenhum outro ano as Torres Gêmeas tinham sido derrubadas. Tudo bem que os pirralhos Onze e Setembro haviam tomado grande parte de sua glória, mas ele estava conformado. Conformado e sorrindo. O Mil Novecentos e Noventa era sempre o mais feliz. Era o único ano que tinha proporcionado o nascimento daquela menina Cíntia. E foi quando o Dois Mil e Seis (que no final das contas era muito tímido) lembrou da Cíntia, que teve a idéia:

"- Vou ser corredor." - pensou alto. Fez-se silêncio. Todos se viraram para ele. "- Volto a treinar esse final de semana, assim já vou chegar rasgando. Como não tinha pensado nisso?! Vou passar por todos, especialmente pela menina Cíntia, correndo. Ninguém verá o meu rosto direito, eu vou ser um mistério para as pessoas. É brilhante. E de quebra ainda não vou me expor muito. Beleza."

E assim foi. Ai, ai...



Escrito por Cíntia Freitas às 21h45
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Sobre os avós.


São aqueles seres que todos acham meigos, simpáticos e doces. Aquelas pessoas, geralmente de mais idade, que sempre têm umas balas no bolso, prontas para serem entregues aos netos desesperados. Um comentário, muitas vezes não condizente ao assunto em questão, sempre sai da boca dos velhinhos amigáveis. Os assuntos com eles são dos mais variados. Passeiam desde acne até acidentes e mortes inacreditáveis, passando pelas hemodiálises e fisioterapias, que sempre geram polêmica. Atualmente, temos a questão da anorexia, que as netas bem conhecem, porque se deixam de comer o miolo do pão, não há dúvida, estão anoréxicas. Ou com anemia, e precisam tomar fortificantes para ficarem com fome e crescerem bastante.

Além da parte óbvia, há as pérolas. Agora que vejo mais os meus avós, é impossível não pescar (pescar: o esporte preferido dos avôs, depois das palavras cruzadas. Rende muito papo, enquanto as avós falam frenéticamente sobre todas as vitaminas contidas na pipoca, suas funções - sabiamente redigidas em "De A a Z qualquer coisa") algumas.

OBS.: Os meus avós, particularmente, são pais dos meus pais, e conseqüentemente, avós de minha irmã. Então entenda: esse negócio de diálogos malucos com a minha irmã não vem assim, do nada. Há genes especias na parada.

Numa tarde qualquer, atendo o telefone:

"- Cíntia?

- Quem fala?

- É a POLÍCIA.

- Oi, vó. Diga."

Depois de conversar sobre qualquer baboseira (que lembro ter envolvido parentes caindo no quintal, quebrando ossos e tudo mais), a despedida:

"- Tá bom, beijo vó.

- Obrigado, igualmente."

Há também a questão do apoio, da valorização que eles nos dão. Sempre confiam na gente, nos estimulam. Mas quando querem destruir sonhos, não há quem os supere. Um dia desses, eu, toda feliz com o chapéu recém descoberto:

"- Olha, vô! Eu tenho cara de pescadora?!

- Não."

Com a idade, eles também podem ser muito sinceros sobre si próprios, dispensando comentários nossos.

"- Vixi, tá tão escuro aqui que eu nem enxergo... Não, é que eu sou cego mesmo."

São nossos papapais, sangue de nosso sangue. O que explica muita coisa sobre a minha personalidade...



Escrito por Cíntia Freitas às 17h08
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Uau, não é que mudou mesmo?!

 

Nada contra as cores do outro layout, mas já tava na hora de mudar. Me disseram que esse layout é meio comum é tal, mas como EU particularmente nunca tinha visto antes, e ele me pareceu simpático, vai ser esse mesmo.

Parece que agora esse é um novo blog. Ahá! Mas não é!



Escrito por Cíntia Freitas às 20h41
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